“Pus dois solinhos no meu desenho, mamã…”.
“Porquê, bebé?”.
“Porque um só era pouca luz…”.
(extracto de uma manhã de sábado)
E eu fiquei a pensar naquilo. As crianças têm o bom hábito de falar das coisas com uma clareza extrema. É difícil percebermos em que momento da nossa vida perdemos esta capacidade maravilhosa de olhar… e VER – sem filtros, sem cortes, sem repetições nem ajustamentos de som ou imagem. Sem dobragens.
Mas o facto, é que a determinada altura isso acontece, e o que fica, é pior, do que o que estava. E desta forma, de alguma forma, eu não entendo o porquê deste processo. Porque é que daqui a uns anos, vai ter de deixar de te fazer sentido, esta ideia maravilhosa que deviam existir dois sóis?… Conseguirei eu, fazer-te continuar a acreditar?
Catarina Santos
Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Psicanalítica
Directora Técnica e Coordenadora da Equipa Psicopedagógica de A Casa Amarela.
